Não, não vou comentar os
resultados das eleições de ontem em Itália porque, apesar dos resultados que Berlusconi,
a entrar na 4ª idade, possa ter e apesar de os italianos virem a ter um chefe
de governo com idade e carinha de bebé, não sei o suficiente para o fazer.
A expressão italiana tem a ver
como uma qualquer canção que me veio à lembrança porque, de facto, não sei se
ria, se chore.
E porquê? É que não me sai da
cabeça uma das notícias domésticas mais escandalosas dos últimos dias. Um senhor
que completou uma licenciatura tarde e a más horas (e não por ter sido trabalhador-estudante)
ministrada por uma qualquer universidade privada, com uma qualquer média final;
um senhor sobre o qual pende uma fraude escondida pelos amigos pátrios mas
descoberta pelas contas europeias; um senhor que manteve no seu governo um
outro senhor que se disse licenciado por aquela mesma universidade sabendo que
nem o primeiro ano tinha completado; um senhor que mentiu todo o tempo ao país e
o estraçalhou enquanto governou; um senhor que sempre mostrou uma enorme falta
de cultura de toda a ordem, a começar pela linguagem que utilizava e grande
falta de cidadania; um senhor que não estudou, não investigou, não pesquisou,
não escreveu…
… esse senhor vai dar aulas em três
universidades públicas e privadas?
… esse senhor vai dar aulas no
mestrado e no doutoramento de Administração Pública, devendo fazê-lo na
categoria de professor convidado catedrático?
… esse senhor vai ter uma espécie
de equiparação salarial à de professor catedrático, o topo da carreira no
ensino universitário?
Às primeiras impressões dá
vontade de dar umas enormes gargalhadas. Mas depois, quando penso na deceção dos
“alunos” e na fúria dos catedráticos de carreira que tanto tiveram de estudar e
de se sujeitar a constantes avaliações e concursos para lá chegarem… ah! Aí dá-me
cá uma vontade de chorar que nem vos digo.
Pobre país este.

















