sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Dos pares mais bonitos de Hollywood

No tempo em que o cinema era rei e em que os cinemas eram edifícios respeitáveis e elegantes com salas amplas e brilhantes de luzes e o flagelo das pipocas não tinha ainda sido instituído, o nosso sábado à noite era muitas vezes gasto em idas ao cinema. 

Porque hoje é sábado, convido-vos a rever um dos pares mais bonito de Hollywood.






Um dos filmes mais marcantes dos anos 50 e um dos filmes da minha vida. Todos se lembram do título, não é verdade?

Bom fim de semana e, já agora, bons filmes.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Here, there and everywhere

Um momento romântico, hoje. (Hoje e sempre porque sou e serei sempre uma romântica...) 

Porque me foi enviada por um amigo especial. 

Lembrar é viver de novo e isso torna-nos mais jovens.






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

No alto da serra

Imaginam-se a viver numa casa destas?



Ou destas?





Ou ainda desta que até tem um moinho lá dentro?



A vista é esta, até ao mar.



E o acesso é mais ou menos assim.




No alto da serra de Aire e Candeeiros,




E cá estão eles, moinhos de habitação. 








E também há lá muitos destes.




Belo para lá passar um fim de semana de descanso. Mas acho que morria se tivesse de lá viver sempre. De claustrofobia...


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Não há machado que corte...

Depois de ter sido mandado calar no DN, Baptista-Bastos escreveu na semana passada, no Jornal de Negócios, a crónica que aqui transcrevo hoje e que devemos ler com atenção.



A voracidade destrutiva do grupo de Passos Coelho é a maior tragédia que tombou em todos nós, os que trabalham, desde o 25 de Abril.

A sociedade portuguesa está cada vez mais pesada e trágica. A entender o que diz, ou sussurra, ou omite o Orçamento do Estado, a miséria vai aumentar para os mais desprotegidos, e a reposição de 20% dos cortes aos funcionários não passa de uma decisão ultrajante. O Governo está a cair aos pedaços fétidos e não pára de ferir fundo aqueles de nós, como eu, com perdão da palavra, que têm de continuar a trabalhar ou a biscatar para sobreviver.

A voracidade destrutiva do grupo de Passos Coelho é a maior tragédia que tombou em todos nós, os que trabalham, desde o 25 de Abril. Temos de repetir esta evidência até que a voz nos doa. Agora, alguns dos patrões que enriqueceram com as benesses e as facilidades propiciadas por este Executivo, já começam a recalcitrar. A própria direita, corporizada em Paulo Portas, percebe que o chão lhe está a fugir, mas metem nojo, por exemplo, as declarações de Lobo Xavier, um dos homens de mão do Belmiro de Azevedo, ou as patetices de Nuno Melo (parece ser assim o nome do desenvolto) quando proclama a melhoria de vida dos portugueses. O Governo está em estilhaços, as malfeitorias que pratica não cessam, e o Orçamento do Estado constitui um ultraje ignominioso, a crer nos economistas e em toda a oposição. O próprio António Saraiva, patrão dos patrões, começa a não poder esconder o mal-estar que se lhe apossou, independentemente de estar visivelmente doente.

Mas a questão central continua a mesma: e depois de Passos, que decisões tomará o novo Governo, ante este caos económico, moral, social e cultural?

Às vezes, muitas vezes, penso quais serão as conversas que o primeiro-ministro terá em família? E a família ficará infensa à gritaria, aos protestos, ao caudal de desemprego, de fome de miséria que se estende pelo País?

Claro que o futuro de Passos estará sempre garantido, e o espectro do desemprego não tocará nunca no batente da sua porta. Deixa, atrás de si, um país que destruiu, e cujos escombros são a trágica afirmação de uma prática governamental pautada pela mais atroz incompetência. Os seus amigos serão a senhora Merkel, o senhor Juncker e o sinistro dono das finanças alemão, cujo nome me causa engulhos, e que foi o grande patrocinador desta macabra experiência político-económica. O ministro Gaspar já está arranjadinho, e só não passa à história como biltre porque os portugueses são esquecidos, fazem-nos esquecer ou negligenciam a sua pessoal sobrevivência.

A preguiça mental e social e a cobardia nascida da indiferença são as causas gerais da nossa decadência. Há restos de dignidade e de decência, como a que corresponde a atitude de Maria Teresa Horta, grande poetisa e grande carácter, que recusou receber, das mãos de Pedro Passos Coelho, o prémio da Casa de Mateus, enquanto um "escritor" inexistente, arfante de alegria, foi medalhado pelo dr. Cavaco, com esfuziante entusiasmo e pouca-vergonha a condizer, servindo de berloque à direita mais sórdida.

António Costa, presumível primeiro-ministro, vai estar em terreno armadilhado. Só o apoio das forças de esquerda poderá impedir o que se prevê. A imprensa está a mudar de donos, e criaturas estipendiadas são colocadas em lugares-chave da comunicação social, perante a impávida disposição das Redacções.

Apesar deste caos moral e social, e das minhas apreensões ante o panorama, continuo a acreditar que possuímos forças suficientes para enfrentar a avalanche. Não podemos é desistir. Desistir, nunca, e em circunstância alguma.



NOTA A TEMPO - Aproveito para agradecer aos leitores que se interessaram pela minha saúde, na semana passada. E, também, a todos aqueles, às centenas, indignados com um percalço de que fui protagonista. A saúde foi um transtorno passageiro. No outro caso, recorro a Carlos de Oliveira: "Não há machado que corte / a raiz ao pensamento."




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O castelo de Porto de Mós

Ontem o passeio foi até Porto de Mós, vila próxima de Leiria, que tem um castelo que remonta ao tempo da conquista pelo nosso primeiro rei (1148) com a ajuda de D. Fuas Roupinho, seu primeiro alcaide, tendo sido beneficiado no tempo de D. Sancho I.

A viver aqui tão perto há mais de meia vida, nunca o tinha visitado o que é uma verdadeira heresia nas palavras de um dos funcionários de serviço.

Quem o vê à distância fica com a impressão que se trata de um castelinho de um conto de fadas.



Funcionou como local de apoio à batalha de Aljubarrota já que aquela vila tomou a defesa do Mestre de Avis, tendo sido doado ao Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. Com a sua descendência o castelo medieval foi transformado num solar renascentista que foi, ao longo dos tempos, conservado e melhorado.

Infelizmente sofreu fortes danos aquando do terramoto de 1755.




A entrada:




As torres frontais numa perspetiva interior:




Uma das varandas vista de dentro:



E por fora:



Vista do átrio central do castelo com a cisterna octogonal ao centro:




Vista exterior de uma das torres piramidais verdes:


Vista interior da mesma:


Pormenores que mostram o bom estado de conservação em que se encontra o castelo:









É mesmo um castelinho muito bonito e merece uma visita!

domingo, 26 de outubro de 2014

Natureza morta

Para desejar a todos uma semana serena, deixo aqui esta natureza morta que decerto vos trará muita calma e...



... umas boas gargalhadas!





sábado, 25 de outubro de 2014

Audrey Hepburn

Aconteceu aparecer-me há pouco . pela frente uma fotografia de uma das minhas artistas preferidas de sempre. Vi muitos filmes protagonizados por ela e sempre a achei linda e finíssima. 


Podia deixar aqui uma das muitas músicas belíssimas do seu filme mais emblemático (e que nós cá em casa vimos e revimos vezes sem conta) - My Fair Lady.

Prefiro, porém, desejar-vos um bom fim de semana com o suavíssimo Moon River, do amoroso filme Breakfast at Tiffany's, em português Boneca de Luxo.




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Proteja-se do Sol!!

As temperaturas continuam altas, mesmo às portas de Novembro. Mais altas do que em muitos dias do Verão deste ano.

Num país à beira-mar plantado, não admira que se aproveite o fim de semana para ir à praia. 

Mas cuidado com o escaldão! Proteja-se do Sol nem que seja com um sapato...





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ai, a língua portuguesa!

Ouvi ontem o bolorento banqueiro Ulrich a dizer no telejornal: «Houveram bancos que…» quando se sabe que o verbo haver é um verbo impessoal que se usa apenas na 3ª pessoa do singular.

Outro dia atrás, na primeira página do meu jornal diário, vinha escarrapachado o título «Por   que o Brasil castiga as empresas portuguesas», quando deveria ser usada a forma «porque» tem um nexo causal. A forma separada «por que» usa-se em frases como «a razão por que …».

Algumas páginas à frente, numa entrevista a um ex-ministro, a primeira pergunta do jornalista começa assim: «Agrada-o que o Manifesto dos 74 (…) tenha chegado à Assembleia da República (…)?» Agrada-o? Agrada-o?! Então um profissional da língua não sabe quando há-de usar um complemento direto (o) ou um complemento indirecto (lhe)?

Noutro jornal daqui da cidade minha hospedeira pude ler outra pérola da língua que foi: «serviriam-lhes». É incrível a ignorância que envolve a pronominalização das formas verbais do futuro do indicativo e do condicional quer nos jornais, nas legendas e, no registo oral então, nem vale a pena falar!

Pior ainda é a importação de estruturas frásicas da língua inglesa e imediata colagem à nossa língua como é o caso do «É suposto» que é a tradução direta da passiva idiomática inglesa que não existe em português; e, mais irritante, a utilização do pronome «tu» em substituição da apassivante «se» que implica um maior esforço gramatical para o falante pouco conhecedor do funcionamento da língua. Por exemplo, para descrever um determinado procedimento, em vez de dizer «pegue-se em seis ovos, separem-se as gemas das claras, misture-se o açúcar com a farinha, utilize-se uma caçarola, etc…», o que implica a utilização do modo conjuntivo (que é uma dor de cabeça para muitos dos falantes) a pessoa – que se acha super-moderna – dirá: «tu pegas em seis ovos, separas as gemas das claras, misturas … etc, etc.»

E depois de todos estes atentados à nossa língua (e muitos, muitos outros) ainda há uma boa parte de pessoas, algumas das quais de elevado saber, que andam muito raladas com um «c» ou um «p» a mais ou a menos na ortografia de algumas palavras…





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Uma rapidinha...


— Doutor, depois do by-pass poderei fazer sexo?


— Só com a sua mulher. Não pode excitar-se.

(Há que rir, né?!)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

É um regabofe na Educação!

Não, hoje não venho falar no desastre total que tem sido e continua a ser o processo de colocação de professores contratados no presente ano letivo. Nem venho falar nas demissões já ocorridas no ME que continuam a deixar o ministro a assobiar para o lado enquanto o pm segue tecendo-lhe os mais rasgados elogios. Ainda menos venho falar do corte de 700 milhões na Educação previsto no Orçamento de Estado para o próximo ano que isso é uma coisinha de nada.

Venho falar de como o ministro – que tanto agradou aos professores quando foi nomeado e que agora dizem sentir-se enganados (não me canso de dizer isto!) – em nome da “bendita” autonomia das escolas – que nada, mas absolutamente nada tem a ver com aquela autonomia que o excelente ministro Roberto Carneiro e a sua equipa de académicos decretou – descarta para cima das escolas e respectivas direcções o trabalho, a responsabilidade e o ónus de procederem à contratação de professores para horários incompletos e dos técnicos especializados sem definir critérios sérios e objetivos que, de alguma forma, garantissem um mínimo de equidade no processo. Em vez disso, dá “autonomia” às direcções (muitas das quais não têm a mínima noção do como o fazerem) para definirem critérios, muitos deles feridos das ilegalidades e inconstitucionalidades mais espantosas. De facto, as escolas não dispõem de advogados que as aconselhem nesta e noutras situações e, quando recorrem aos serviços intermédios de apoio do ME (antigas DRE), praticamente desativados, recebem respostas evasivas, por defesa e/ou por incompetência, do estilo “sim, não, talvez, pelo contrário” como as dadas pelo dr. Apolinário da DREC “que deus tem”.

 Para além deste desnorte, 35% da pontuação da grelha de avaliação para o processo de contratação é reservada para uma entrevista aos candidatos para a qual também não são dadas quaisquer orientações superiores que promovam uma certa igualdade entre as escolas de norte a sul e que permite que se façam as escolhas que muito bem apeteçam às escolas, independentemente da experiência, do tempo de serviço, das habilitações até. Muitas escolas optam, e bem, pelo professor ou pelo técnico especializado já conhecido e para isso têm, muitas vezes, de recorrer a estratagemas mais ou menos obscuros para os manterem quando uma simples recondução por parte da direcção evitava esses constrangimentos e muito trabalho.

Para que este sistema de “autonomia” funcionasse, seria necessário termos a seriedade e a noção de justeza e de verticalidade que têm os suecos ou os dinamarqueses… Mas infelizmente assim não acontece e assistimos a dislates como os narrados no DN de ontem. O que não é o pior!

O pior mesmo é o stress e o terror em que os candidatos andam. Primeiro porque têm de correr de escola para escola, umas bem longe das outras, para uma espécie de entrevistas em que não fazem a mínima ideia do que lhes vai ser perguntado. Depois porque, como já disse acima não somos suecos nem dinamarqueses e (peço desde já desculpa se vou chocar alguém com esta minha opinião construída em 40 anos de magistério) a prepotência é uma das formas de atuação de muitos professores alcandorados ao poder e ainda por cima com a recente denominação de «directores».

Considerem a situação de A, moradora em Coimbra, que obteve uma colocação numa escola a 30 Km da sua residência. Duas semanas depois, dentro do período legal de rescisão do contrato, granjeou colocação em Coimbra e, naturalmente, optou pela segunda. O director da escola preterida destratou-a e, aos berros, garantiu-lhe que nunca mais voltaria a ser aceite naquela escola.

Considere-se a situação de B que granjeou contrato durante três anos consecutivos na escola X. Ao fim desse tempo, para experimentar outra realidade, concorreu a outra escola e foi contratada. Quando a vaga deixou de existir na segunda escola, não voltou mais a ser aceite, de castigo, na escola X apesar de ter muito mais tempo de serviço e de experiência que os restantes candidatos.

Veja-se a situação e C que, tendo sido alvo de graves irregularidades do seu processo de contratação, recorreu – de acordo com as normas legais – para o ministério e para a inspecção-geral de onde recebeu resposta muito tardia dizendo que «a direcção do agrupamento garantiu-nos que fez tudo de acordo com a lei». (Aprenderam esta resposta com o senhor presidente da República…)


Mérito? Qualidade de trabalho? Bom desempenho? Tretas!! É preciso é saber “lamber as botas” ao senhor director…



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Quem se lembra?



Alguém se lembra desta loucura?!

domingo, 19 de outubro de 2014

Mambo italiano

Para quem gosta de dançar e de música com algum ritmo, deixo-vos esta belíssima canção que fez, com muitas outras, as minhas delícias nos idos de 50, quando ainda não havia televisão em Portugal e se ouvia muita rádio e se ia bastante ao cinema. Ainda morávamos em Algés, o cinema (Stadium) era ali a uns duzentos metros de nossa casa e ainda não havia escalões etários de acesso aos filmes. Delirei com esta música e com a dança. Teria eu uns sete anos...

Vejam a sensualidade com que era dançada e como a protagonista (uma senhora que recentemente fez 80 anos) era elegantíssima nas suas formas redondas, tão fora de moda hoje em dia.

Enjoy...





Boa semana!

sábado, 18 de outubro de 2014

Pensamento do dia




O Amor é como a relva : se o plantares e regares todos os dias, ele cresce.

Se aparece uma vaca ... estraga tudo ! ...


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Decadência do DN

Nada tenho contra a jornalista Ana Sousa Dias. Até gosto da forma serena como entrevista as pessoas, mesmo sendo ‘comentadeiros’ como Marcelo Rebelo de Sousa. Mas quando, na 4ª feira passada, levada pelo hábito de ir àquele rectângulo no canto superior direito de uma das primeiras páginas centrais do DN para me deliciar com a prosa aguerrida e quase sempre certeira das crónicas de Baptista-Bastos, e me dou com uma cronicazinha de bairro assinada pela dita jornalista, o que senti não foi deceção, não! Senti-me mesmo defraudada. E pensei: agora é que o DN vai passar a ser um jornalzinho como os outros – sem grande interesse.

Exagerada como (sabem que) sou, lembrei-me imediatamente daquele domingo de há alguns anos, em que abri a Notícias Magazine e, ao ler o editorial, como habitualmente fazia, me deparei com uma conversinha mixuruca, daquelas destinadas a donas de casa (não desesperadas) de missinha ao domingo, altamente moralista e pseudo feminista que me deixou pelos cabelos. De então para cá, nunca mais olhei para a NM com olhos de ver porque, tirando alguns textos do escritor Gonçalo M. Tavares que preenche a última página, todo o restante conteúdo passou a ter a ver com restaurantes gourmet, chefs (a grande moda da pepineira), modas, maquilhagem e formas de manter a linha.

Hoje, 6ª feira, perguntei-me: «será que a Câncio ainda tem autorização para lá escrever?» Sim. Esta semana ainda escreveu e com que força! A crónica chama-se «A poesia disto» mas nada tem de lamechas que deve ser o novo estilo a dotar no DN e muito menos do estilo yes, minister . Vale a pena dar uma vista de olhos.

A questão será: até quando vai a Câncio poder manter a sua crónica de «mal dizer»?


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O antes e o depois

Vale a pena ler o projeto de intenções do "nosso" primeiro e apaniguados quando, há três anos, decidiram «ir ao pote».




  O nosso partido cumpre o que promete.
  Só os tolos podem crer que
  não lutaremos contra a corrupção.
  Porque, se há algo certo para nós, é que
  a honestidade e a transparência são fundamentais
  para alcançar os nossos ideais.
  Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
  as máfias continuarão no governo, como sempre.
  Asseguramos sem dúvida que
  a justiça social não será o alvo da nossa acção.
  Apesar disso, há idiotas que imaginam que
  se possa governar com as manchas da velha política.
  Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
  se termine com a corrupção e as negociatas.
  Não permitiremos de modo nenhum que
  os reformados morram de fome.
  Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
  os recursos económicos do país se esgotem.
  Exerceremos o poder até que
  Compreendam que
  Somos a nova política.


Atualmente, para que o mesmo texto faça sentido e corresponda à verdade, deveremos lê-lo de baixo para cima...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Que preguiçosos, os portugueses!


A senhora Merkel, na sua sanha de (re)ganhar pela asfixia económica a guerra marcial (passe o pleonasmo) e étnica que o seu antepassado Hitler perdeu, lançou, conjuntamente com os povos lá bem do Norte – certamente invejosos do esplendoroso sol e da alegre luminosidade do sul – a patranha de que nós éramos um povo de preguiçosos, que não tínhamos ânimo para o trabalho, e por isso não conseguíamos manter a nossa economia acima da linha de água tudo por causa da nossa baixa produtividade.

Não tardou muito tempo para que o polidor de sapatos ao serviço da dita senhora, o “nosso” primeiro-ministro, pegasse nessa deixa da sua aureolada mentora e cortasse feriados centenários, aumentasse o número de horas de trabalho semanal dos funcionários públicos ao mesmo tempo que lhes baixava os vencimentos enquanto cortava drasticamente nas vagas necessárias para o, não digo bom, mas pelo menos razoável funcionamento das instituições públicas. Tudo em nome da bendita produtividade que não conseguimos por causa da preguiça.

Partindo desta (germânica) premissa, nem sei como explicar o meu espanto quando li, há dias, no jornal que o pessoal médico e de enfermagem está próximo da exaustão pelo esforço despendido para conseguir dar nos seus postos de trabalho a resposta que o público espera deles e a que estava habituado.

Quando leio que aquela espécie de ministro (C)rato promete aos quatro ventos que os alunos prejudicados pela hecatombe (palavra minha, não estou a citar…) criada pelos disparates em cacho na colocação dos professores contratados vão ter aulas de compensação, já estou a ver daqui que quem vai ser obrigado a leccionar essas aulas vão ser os professores que já estão a trabalhar com os seus horários completos, alguns com oito e nove turmas de vinte e muitos alunos para reger e mais não sei quantas horas de apoios e sei lá de que mais que as direcções lhes queiram dar.

Outros grandes preguiçosos são os auxiliares de acção educativa – que agora de chamam assistentes operacionais – muitos dos quais são contratados temporariamente a 2.90 euros a hora num máximo de quatro horas por dia e que dão horas e horas do seu tempo para que os alunos, muitos dos quais tão novinhos que não podem ser deixados sozinhos, tenham de facto alguma assistência (nem que seja operacional…)

Com preguiçosões destes – e de outros – que só querem esticar-se ao sol e viver de subsídios, como pode realmente a nossa produtividade aumentar por forma a elevar a economia do país?

Sim, que a responsabilidade por este caos não pode ser assacada às políticas do “governo”, nem aos vergonhosos roubos de banqueiros e outros poderosos da área do “governo”, nem da inépcia e falta de conhecimento e de saber dos nossos empresários, nem da falta de honestidade e de visão na aplicação por parte dos governantes e dos influentes dos milhões que jorraram da Europa desde a nossa adesão e que deveriam ter renovado toda a indústria e desenvolvido a nossa riqueza natural!


A culpa é toda deste povo de preguiçosos!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Apesar da chuva






(fotos de Francisco Mendes)

domingo, 12 de outubro de 2014

Curta metragem

Uma curta metragem para um final de noite diferente (ia dizer "divertido", mas retrocedi perante a tragicomédia que se vive atualmente na Educação. Ah! E na Justiça! E também na Saúde! E também... E também... E também...)







Bom final de fim de semana!

sábado, 11 de outubro de 2014

Rain and tears

De facto hoje 

«O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.

O dia deu em chuvoso.»

(Álvaro de Campos)

E aí veio-me à memória a canção Rain and Tears dos bons anos 60 da autoria da banda «Aphrodite's Child».

Lembram-se? Era assim:




Reconheceram o vocalista? 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Desta os homens vão gostar...

- Minha senhora, os seus pulmões, o seu coração e a sua pressão estão óptimos ! - diz o médico.

- Agora deixe-me ver essa coisinha que costuma meter as mulheres em grandes encrencas.

A mulher prontamente tira o vestido e quando começa a tirar as calcinhas é interrompida:


- Não... não! Não precisa tirar a roupa, minha senhora...  Só quero ver a língua !




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Há dias assim...


“O que tenho é sobretudo cansaço, e aquele desassossego que é gémeo do cansaço quando este não tem outra razão de ser senão o estar sendo. Tenho um receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer. Tudo me parece antecipadamente fruste.

O insuportável tédio de todas estas caras, alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são alheias...”

[Livro do Desassossego, trecho 337 (ed. lit. R. Zenith, 2009)]


 (René Magritte)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Revivescências de um dia

  1. Baptista-Bastos, o intrépido comentador da realidade do país às 4ªs feiras no DN, foi, ao fim de sete anos de belas e intensas crónicas semanais, mandado calar. «Fui posto fora» - escreveu ele hoje. «Mas não posso calar o que me parece um acto absurdo, somente justificado pelas ascensões de novos poderes. Porém, esses novos poderes são, eles próprios, transitórios pela natureza das suas mediocridades e pelo oportunismo das suas evidências.»
  2. Mas entretanto, os «juízes são os primeiros a ter aumentos no pós-troika» - porque será? Serão os trabalhadores (recuso-me a usar o neologismo laboral de “colaboradores”) mais mal pagos do país, ou haverá outra razão um pouco mais profunda?!
  3. A ministra-sinistra das Finanças e o super-competente  governador do Banco de Portugal (que hoje também reviu em baixa o crescimento da economia previsto pelo governo) depois de jurarem a pés juntos, desde Agosto, que os contribuintes não poriam um cêntimo do seu bolso no desastre do BES, vieram agora dizer que, se calhar, não poderá ser bem assim… Enganaram-se, pois então! Mas estes nem pedem desculpa.
  4. A ministra da Justiça, essa pediu desculpa, mas foi sempre dizendo que não houve caos nos tribunais. Hoje, em entrevista informal a alguns repórteres em que deu conta que os tribunais vão, aos poucos, recuperando a plataforma e tal, pediu-lhes, tão humilde (!!) «Não me façam mentir…»
  5. Quem não se enganou, nem mentiu, nem nada, foi o inefável ministro (C)rato que, na semana passada,  afirmou no Parlamento que «nenhum professor seria prejudicado» por causa do erro nas colocações, vem agora dar o dito por não dito, declarando que não prometeu aos professores a manutenção no lugar. Ele disse tão-somente «mantêm-se» e não «manter-se-ão»! «Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal. Os professores mantêm-se, disse. Mantêm-se até às novas listas de colocação corrigidas, que tacitamente revogam a anterior. É a lei», declarou. – o senhor ministro sabe gramática…
  6. A comissão de inquérito aprovou no Parlamento o encerramento do caso dos submarinos com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS e com os votos contra de toda a oposição que apresentou uma declaração conjunta Relatório viciado, inquérito inacabado.” Nesse documento, PS, PCP e BE acusam o relatório de Mónica Ferro de “branqueamento”, “vontade de abafar o debate”, “selecção tendenciosa de depoimentos”, “tentativas de encobrimento” e “dúvidas graves”. Apesar de tudo isto, os senhores Durão Barroso e Paulo Portas podem continuar a dormir descansados...
  7. Frase do dia encontrada no facebook:
    «Este desgoverno é versado em cobardês, desavergonhês, e passa-culpês. Obviamente, prefiro o eduquês!!»
  8. Mais revivescências haveria a registar, mas fico-me por estas – que não são nada poucas, nem boas – não sem antes referir a última:
    Faz hoje quarenta anos que vim viver para Leiria.  E esta não comento...




terça-feira, 7 de outubro de 2014

Os caracóis do Reguengo

Há uma povoação muito bonita aqui no pequenino concelho da Batalha que tem uma tradição muito original que hoje me lembrei de trazer aqui: no início do mês de outubro realizam-se as festas de Nossa Senhora do Fetal durante as quais se organiza a procissão das velas que acompanha o andar da Senhora. 

A originalidade é que o percurso da procissão que se faz entre a capela e a Igreja é todo iluminado por lamparinas feitas de cascas de caracóis. É um espetáculo maravilhoso que atrai muita gente ao evento.

Vale a pena ver.


   


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

In despair


Exausta fujo às arenas do puro intolerável
os deuses da destruição sentaram-se ao meu lado
a cidade onde habito é rica de desastres
embora exista a praia lisa que sonhei.

(Sophia de Mello Breyner)


Assim me sinto hoje. 

A incompetência, as fraudes, as injustiças, a total ausência de defesa, a impunidade que grassa nos processos de contratação dos técnicos especializados pelas escolas deixa-me para lá de desesperada. 

E nada há que se possa fazer: a educação - o país! - está no mais puro caos!

(daqui)


domingo, 5 de outubro de 2014

Ai, a República!

(Museu Republicano de Pedrogão Grande)


Hoje é dia de dizer «Viva a República!»

«Viva a República!»

Pobre República porém, que tantos reveses tem sofrido nos seus pouco mais de cem anos de vigência! Senhora das suas verdades e das suas ideias, mas cheia de incertezas, entrou por este tristonho e pobre país de gentes néscias e bisonhas aos repelões sem saber se iria vingar e tornar-se forte como se tornara noutras latitudes.

E se a muito custo conseguiu – mercê da vontade de homens bons e de mulheres de força – implantar alguns das suas regras e doutrinas, não passaram mais de vinte anos para que fosse arrumada na prateleira da desgraça, escondida por detrás de bustos de cónegos rubicundos e de figuras embalsamadas para que depressa a esquecessem.

Assim esteve amarrada e de mordaça na boca durante quase meio século. Quase anquilosada foi retirada do canto das teias de aranha por um punhado de soldados sonhadores – de novo, os homens  bons – que lhe restituiu a cor, a luz e a vida.

Mas a vida dá tantos tombos e o que hoje é luz amanhã pode ser treva. E foi assim que esta espécie de governantes, que bem tenebrosos são, achou por bem retirar-lhe a pompa da celebração em dia de feriado – talvez um primeiro passo para remetê-la àquela velha prateleira onde passou metade da sua vida.

Agora é meio-celebrada, sem a pompa do povo na rua – porque povo preguiçoso tem de ser punido com chicote – por uns deputados de ideias atarracadas e olhos estrábicos com a linguagem rebuscada de quem não sabe falar a língua e por um presidente que se diz ser dela – da República – hirto, macambúzio e maldisposto que manda recados abstrusos a torto e a direito como quem dá tabefes aos colegas dos seus protegidos “filhinhos” se não lhes fazem as vontadinhas.


Ai, pobre República! E este povo que, com as forças que lhe restava, conseguiu correr com os Filipes, conseguiu destituir a monarquia e foi capaz de apear a ditadura, não consegue levantar-se em peso e depor estes deputados míopes, estes ministros ultra incapacitados, bem como aquele presidente sorumbático e carrancudo?