domingo, 31 de março de 2013

Alentejo


Ainda me lembro da primeira vez que fui ao Alentejo. Foi na primeira metade dos idos de sessenta. O meu pai teve de ir a Aljustrel em trabalho e lá fomos nós, num sábado ou num domingo de muito sol, numa carrinha Volkswagen lá do serviço, daquelas a que agora estupidamente chamam de “pão de forma”, com picnic e tudo, que naquele tempo não abundavam os restaurantes por esses caminhos de Deus, nem o dinheiro…

Foi uma viagem demorada – todas eram, nesse tempo – mas superdivertida como era tudo nesse tempo desde que o meu pai e a minha mãe estivessem bem-dispostos. Retenho, desse passeio, o calor, a quantidade de árvores ao lado das estradas e a planura amarela, uma imensidão amarela que corria dos lados da carrinha com algumas árvores baixas tão quase tão perfeitas como as que o meu professor de Desenho pintava sobre o papel fabiano e que iam rareando à medida que viajávamos para sul.

Tirando o meu primeiro encontro com um sardão bem verde que se bronzeava em plena planície amarela (animal que muito e para sempre me horrorizou, diga-se de passagem) fiquei a amar aquelas paisagens que me pareciam a perder de vista com o seu as suas searas de tom Van Gogh.

Contam-se pelas muitas dezenas as vezes que atravessei o Alentejo, região que sempre nos surpreende com tonalidades diferentes de acordo com a estação do ano. Em Abril começam a aparecer os amarelos misturados com o branco e o lilás, depois pintalga-se com o encarnado das papoilas, no verão todo ele é girassóis e no fim das ceifas regressa ao vermelho barro para depois ficar vestido de outono.

Mas nunca como desta vez o vi verde vivo e vibrante de água. Os campos verdes, verdes (não Minho, que esse é inconfundível) mas verde vivo marejado em água. Deslumbrante como sempre mas numa toada diferente onde, todavia, não faltava a passarada e os ninhos de cegonhas.
















sábado, 30 de março de 2013

Feliz Páscoa!

Eu podia desejar uma Boa Páscoa aos meus amigos virtuais (e não só) com um postalinho destes...


Mas como o Coelho está em baixa, prefiro apresentar-vos este outro postal.




Porém... para aqueles/as que não gostam de «comer gato por lebre», digo, coelho, deixo este outro bem mais, digamos, plural?...


Ah! E não se esqueçam de mudar para a hora de verão! Não há nada que enganar...






sexta-feira, 29 de março de 2013

A culpa é do PS!

Não sei se a culpa não será também do Sócrates, mas pelo menos do PS é!

Não para de chover e de fazer vento numa altura em que muita gente, malgré tout, aproveita para tirar uns diazinhos para ir (ou vir) até ao Sul, o que é de uma imensa injustiça… Pior do que isso é ter a criançada toda de férias em casa sem poder dar umas saídinhas. Mas hoje percebi tudo! Uma senhora disse na rádio (e cito) que «a culpa é do anticiclone dos Açores que não se mexe.» E aí, fez-se-me luz: a culpa é mesmo do PS! Se nos Açores mandasse o PSD, outro galo cantaria. E naturalmente que até o anticiclone se mexeria… Pelo menos era como eles pensavam que iria suceder com a Europa quando, vai para dois anos, foram reunidas as condições para finalmente «irem ao pote»…

Pois como choveu todo o dia, fomos para Lagos matar saudades das nossas praias dos bons anos 90.


A "minha" praia D. Ana

com as arribas a desmoronarem

A praia do Camilo

 
 
A Ponta da Piedade


As grutas da Ponta da Piedade


E... paletes de espanhóis por todo o Algarve...
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

O homem está em grande forma!



Não fui eu quem o disse! Se bem que ache que ele arrasou. Se bem que ache que, desde a exibição da novela Gabriela nos idos de 77, nunca o país esteve tão suspenso de uma transmissão televisiva como ontem para assistir à entrevista feita por aqueles tristes jornalistas mal preparados ao ex primeiro-ministro.

Mas, de facto, goste-se ou não dele, o homem está em grande forma - o que não constitui grande surpresa para quem o conhece. E quem o diz é o (neste caso) isento Baptista-Bastos no seu estilo inconfundível. Senão, vejam.


«Notoriamente, os dois jornalistas destacados para entrevistar José Sócrates estavam impreparados, ou não tomaram em consideração a aptidão dialéctica do ex-primeiro-ministro, ou, pior, não estavam ali para esclarecer, sim, acaso, para baralhar e entrar em chicana, colocando-se como protagonistas, quando deviam ser mediadores. Chegou a ser pungente a evidência com que o entrevistado repôs a natureza dos factos, perante a turva propriedade das enunciações. O esclarecimento das manobras e das conspiratas com origem em Belém, e as inclinações ideológicas do dr. Cavaco, que põem em causa a sua tão apregoada "independência", foram pontos fulcrais da entrevista. Ficou-se a saber o que se suspeitava: o manobrismo unilateral de quem começa a ser cúmplice consciente do desastre para que nos encaminham. Um a um, ponto a ponto, Sócrates rebateu as alegações de "desincorporação" que ambos os jornalistas se aplicavam em expor, recorrendo às instâncias que estabeleciam as relações marcantes na época. Aí, a sua intervenção foi arrasadora. Claro que Sócrates e o seu governo não podem ser responsáveis de todas as malfeitorias, apesar das estruturas de contra-informação utilizadas, da negligência propositada de alguma comunicação social, e que ele denunciou com denodo. A entrevista foi extremamente interessante porque o reconhecido talento de José Sócrates voltou a impor-se em grande estilo. Ficámos esclarecidos? Não; porque os entrevistadores, além das deficiências apontadas, foram intimidados pelo "animal feroz". O homem está em grande forma.»

(Esta deve ter sido a fúria que o PR apanhou ontem à noite...)


quarta-feira, 27 de março de 2013

O AntiCristo...



Cuidado donzelas casadoiras ! Atenção virgens ! Sus, balzaquianas menopáusicas ! Em guarda, rotos de todos os parques Eduardos VII ! Tudo em posição de alerta ! ELE vai voltar; ELE vai comentar ; ELE dará entrevistas "belzebúdicas" ; ELE tresanda a enxofre ; ELE traz o fedor do Quasimodo de Nôtre Dame ; ELE usará presumivelmente boxers vermelhos ; ELE bolsará impropriedades e mentirolas de todas as estirpes com aquela língua bífida que todos conhecemos. Tudo aos alhos. Tudo às tranças de cebolas. Tudo à Santa Madre Igreja. O gajo, esse Imundo, pode ser esconjurado com três Pais Nossos ( atenção que eu só tive um ...), duas Avé Marias, cinco Credos, e quarenta acções do Banco Ambrosiano, ora regido pelo Chico 76. ELE é o Sócrateratus, filho em linha recta do Nosferatus, que neste mundo pio e devoto, abençoado pelo Silva e pela perliquitetes da mulher, neste mundo da Cristas vagueia para a perdição das almas. Fora Sócrateratus ! "Vade retro", Belzebú ! Olha bem para este alho, para este cambo de cebolas, para esta bola amarela do CDS, para esta setinha alaranjada do PSD, e recolhe-te às profundas dos Infernos, das regiões inferiores de onde vieste. 

Fora o Sócrateratus ! Fora agora e para sempre ! Agora e sempre ! PIM 

(Amadeu Carvalho Homem, in Facebook)

terça-feira, 26 de março de 2013

Le premier bonheur du jour

Para citar o meu querido amigo blogger do crónicas do rochedo que tanto gosta deste título «Le Premier Bonheur du Jour» (a partir da belíssima canção da nossa muito querida Françoise Hardy) digo-vos que, aqui onde nos encontramos, o nosso "premier bonheur du jour" é mesmo beber café na ...



... a nossa pastelaria de sempre.

E, já agora, aqui fica, para recordar, a bela canção francesa (que é tão doce como os bolos e os doces da Martinique...) Espero que gostem!



segunda-feira, 25 de março de 2013

Oremos

Como estamos na semana da Páscoa, deixo aqui uma oração deveras original, muito, muito atual e muito, muito abrangente - é para a família toda...

Oremos!


Escolham o vosso caso...
 

domingo, 24 de março de 2013

Jovens...

Chegados a Santa Eulália, vestidos de inverno, depois de termos apanhado chuva da grossa pelo caminho, e logo demos com esta imagem. Dezenas de jovens na praia como se fosse Junho...





E havia música para aquecer...



Boa semana!
 

sábado, 23 de março de 2013

Ida de férias

Na semana passada fomos ao Museu M[i]mo visitar a exposição de fotografia (Re)conhecer Leiria – memórias e imagens do século XX com textos e imagens de Raul Faustino de Sousa e do fotógrafo leiriense de sempre, o senhor Fabião. Sobre a exposição falarei noutra altura. Mas, apaixonada que sou pelos acontecimentos do século XX, especialmente da primeira metade a que não assisti, e pelas imagens desse tempo nomeadamente dos locais onde vivi, e influenciada pelos trechos transcritos do livro “As Minhas Memórias – Leiria 1909-1939” de Raul F. de Sousa, acabei por adquiri-lo no fim da visita. (O nosso amigo blogger asnunes já se referiu a este livro aquando do seu lançamento na Fundação da Caixa de Crédito Agrícola de Leiria).

Não se trata de uma obra literária, mas tão-somente de uma sequência de pequenas narrativas, com fotografias e croquis do próprio autor de episódios do tempo da sua vida que passou em Leiria e que decerto será muito mais apreciada pelos leirienses aqui nados e criados conhecedores das famílias tradicionais desta pequena e bem fechada cidade.

Ora hoje, que estou a preparar as coisas para ir passar uma semana lá para o Sul, lembrei-me da descrição divertidíssima e quase surreal dos preparativos da família de Raul Sousa quando, nos anos 20-30 do século passado, se deslocava de férias com os pais e os irmãos para a praia da Vieira. Vamos ver.




«No dia aprazado, logo de manhã, chegava à nossa porta o almejado transporte, que naquele tempo era um “carro de esquadrão” (espécie de galera, mas mais bem feito e cómodo) puxado por uma ou duas parelhas de mulas. Era um bom carro, com os taipais altos de grades de madeira, onde se aninhava toda a espécie de coisas e bagagens a levar para um mês de praia. Depois de carregado, era muito cómodo.

Ali se metiam malas grandes com roupas de cama, de mesa e outros, grandes caixotes de comida, camas, colchões, enfim, uma amálgama de coisas para montar casa para cinco pessoas. 

Logo a seguir ao assento do condutor, havia uma tábua onde cabiam mais duas pessoas. Eu tinha a incumbência de fazer a distribuição da bagagem, de forma a dar espaço e comodidade às pessoas que deviam ir no carro. Assim, tratava de almofadar a tábua com cobertores, assim como a grande mala, logo atrás. (…)

Ali nos aconchegávamos e, depois de tudo pronto, dava ordem para arrancar. E, dada a partida, encetávamos a viagem que ia durar umas horas.

Meu pai ia a cavalo e só ia mais tarde. (…) 

Apesar de as estradas serem de macadame, a viagem fazia-se com relativo conforto e fazíamos alto na Vila da Vieira, para breves visitas e descanso dos animais. 

Retomávamos a viagem, depois de uma ou duas horas de descanso, da Vieira para a Praia e, logo que se entrava no pinhal, enfrentava-se uma série de buracos, que chegavam a atingir uns quatro metros de comprido, a toda a largura da estrada, que era um caso sério para sair dali pois estes grandes buracos eram de areia solta e pedra solta.  (…)

Algumas vezes aconteceu sairmos de Leiria às nove da manhã e só chegarmos à praia à tardinha. E uma vez chegámos à praia à noite, tendo-se procedido à descarga do carro à luz de candeeiros Petromax.»




Cá por mim, espero amanhã levar muitas menos horas a chegar de Leiria ao Algarve…